FOTO: ALEX COSTA
Em produção numa cidade cenográfica em Itaitinga, o longa "Poço da Pedra" materializa o sonho de fazer cinema de algumas dezenas de realizadores ligados a oito Pontos de Cultura.
Depois de vários filmes como auxiliar de direção de arte, contra-regra ou ainda técnico de efeitos especiais ("No Calor da Terra do Sol" ou o inédito "Área Q", ambos de Halder Gomes, ou ainda o curta "Adeus, Praia de Iracema", de Isiane Mascarenhas e uma extensa lista que inclui ainda diretores como Rosemberg Cariry, Jane Malaquias, Eric Laurence e José Araújo), Davi Florêncio de Sousa assina agora a direção de arte do longa "Poço da Pedra", que está sendo dirigido pelo cineasta e coordenador da Academia de Ciências e Artes (Acartes), Gerardo Damasceno. Iniciando suas atividades nas primeiras oficinas de artes da Acartes, Davi realiza agora mais uma etapa do que ele, Gerardo e os demais realizadores definem como "o sonho de fazer cinema". Com direito a uma (inédita no Estado) cidade cenográfica, projetada por Davi, no sítio onde todos estão alojados há duas semanas, em Itaitinga. Nome da cidade: Poço da Pedra, distrito da também fictícia Itaimbé da Serra.
Projeto conduzido por Gerardo há quatro anos, baseado em seu romance homônimo (e que já foi levado aos palcos pelo próprio Damasceno, diretor formado pelo Colégio de Direção Teatral do Instituto Dragão do Mar), o filme reúne dezenas de representantes de oito Pontos de Cultura, ligados ao Pontão de Cultura Polo de Produção Audiovisual Francisco Milani, originado da ONG que o ex-professor fundou no bairro do Pirambu, em 2002 - dois anos depois um dos primeiros Pontos de Cultura do Estado. Participam cerca de 47 personagens e 100 figurantes, selecionados entre moradores do município e 10 representantes de cada Ponto de Cultura ligado ao Pontão, vindos de Guaraciaba do Norte, Cascavel, Tauá, Missão Velha e Guaramiranga, além de atores lapidados no Pirambu, em outro Ponto de Cultura do Castelão e nas Paixões de Cristo do grupo Acauã, ligados ao Ponto de Cultura de Itaitinga. "Até o diácono de Itaitinga, Deusdeth Alves, está participando", dizia o diretor do making of, Anderson Santiago. Todo mundo dormindo, no final da manhã da última quarta-feira, quando nos encontramos com ele, Gerardo e Davi. "Ontem, terminamos uma hora da manhã", justificava Damasceno, enquanto ia nos mostrando as 14 locações da cidade do sítio, também denominado "Poço da Pedra", onde o Pontão mantém sua Escola de Formação de Atores.
Refazendo histórias
A história, fictícia, mas com um pouco de tudo o que a gente já ouviu falar sobre os dramas fundiários brasileiros, está sendo rodada em câmera digital. Entre gruas e outras maquinarias também desenvolvidas por Davi Florêncio - e que ele e a Acartes fabricam, vendem e alugam para ajudar na sua manutenção. Uma realidade bem diferente do tempo da câmera em VHS, com que a Acartes começou a interferir na realidade do Pirambu. É, mas toda a cidade teve que ser refeita, depois que uma primeira, de madeira e materiais alternativos, erguida em 2008, sofreu com as chuvas do ano passado. "Agora é de alvenaria, algumas locações servem de alojamento ou para marcenaria, como a Igreja", informa o diretor. E, claro, uma fachada vira outra do lado oposto.
Além da igreja, tem a Emagropesce, Empresa Agropecuária de Comércio e Exportação, a mercearia São José, É nesses lugares que será contada, "em um grande flashback", a investigação do assassinato do ex-Presidente da cooperativa de agricultores, Zé Capote, vítima da luta pela posse da terra, que poderá ser vivido pelo ator Aramis Trindade. Uma história que poderá vir a ser apresentada ainda em formato de minissérie, vislumbra Gerardo Damasceno. "Temos que regionalizar nossa televisão", diz o diretor que já documentou histórias de pescadores, parteiras e outros personagens cearenses, além de imaginar roteiros envolvendo aspectos tão diversos como a homossexualidade, a prevenção a DST's ou até os OVNIs. E que, além de descrever seu novo sonho durante a Teia Brasil 2010, não vê a hora de apresentá-lo ao mundo este autêntico filme brasileiro.
HENRIQUE NUNES
REPÓRTER
Fonte: AQUI.

Nenhum comentário:
Postar um comentário